Abiogás debate alternativas para uso do biometano em veículos pesados

Abiogás debate alternativas para uso do biometano em veículos pesados

A Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás) promoveu na última semana um debate de alto nível sobre o uso o biometano como fonte de combustível em veículos pesados.

O seminário abordou os usos múltiplos do biometano no transporte pesado. Segundo o presidente da Abiogás, Cícero Bley Jr, a discussão sobre o uso do biogás e biometano ainda precisa avançar no Brasil por ser um país favorável à produção.

“Convidamos as maiores autoridades do Brasil para o debate. No meio urbano, o biometano pode ser usado em frotas para logísticas específicas como coleta de lixo, distribuição de concreto e transportes coletivos. No meio rural, o biometano além de ser produzido com dejetos animais, pode ser aplicado nas logísticas de produção”. Para Bley, o estímulo ao uso do biometano nestas logísticas traria imensos benefícios econômicos aos produtores, que reduziriam seus custos ao país e reduziria a importação do diesel. Soma-se ainda a vantagem ambiental com cerca de 85% a menos de emissões de gases do efeito estufa no ar, que o diesel provoca.

De acordo com dados da Abegás, a cidade de São Paulo tem cerca de 14 mil ônibus em sua frota de ônibus e o insumo seria uma opção para o transporte público em grandes cidades, ainda mais em um contexto em que a maior cidade do país discute o programa Ecofrota, que visa substituir a matriz energética dos ônibus municipais, retirando o diesel comum para dar lugar a fontes mais limpas.
Para, Ricardo Gomide, do MME, a oportunidade criada por esse novo mercado do biometano tem um impacto relevante nos estados que são grandes produtores, além de uma alternativa aos combustíveis tradicionais.

“A importância de biocombustíveis como o biogás e o biometano se dá por ser uma ótima fonte de diversificação da matriz, amplia as fontes renováveis e dá segurança energética”, afirma o executivo.

Transportes e saneamento

Outro ponto amplamente debatido pelos especialistas foi o potencial de biometano que poderia ser gerado nos aterros e lixões do Brasil. De acordo com a Loga, companhia que oferece serviços de coleta, transporte e tratamento de resíduos domiciliares ao município de São Paulo, a cidade gera cerca de 12 mil toneladas de resíduos sólidos por dia. Desse total, apenas 3% é reciclado. O biometano gerado nos aterros poderia abastecer a frota dedicada de caminhões que fazem a coleta.

Empresas que atuam no Brasil dominam essa tecnologia. A Scania, por exemplo, comprovou a viabilidade econômica e ambiental com o primeiro ônibus do Brasil movido com biometano. O veículo tem motor Euro 6 e emite 70% menos poluentes que um similar a diesel.

Outro exemplo está no Oeste do Paraná (PR), onde dejetos de galinhas, suínos e bovinos se transformam em biogás para gerar energia, que representa 30% de todo o custo de uma propriedade rural.

“Essa é uma região com forte presença da agroindústria, o biometano como biocombustível no transporte e coleta de leite e animais das áreas de produção aos frigoríficos e de modo notável na distribuição de ração para alimentar milhões de suínos, aves, vacas leiteiras, gado confinado acaba por impactar positivamente os custos de produção”, diz Cícero Bley, da Abiogás.

Já Marcelo Mendonça, da Abegás, avalia como positivo a discussão de novas aplicações do biogás. “O biometano é um novo suprimento para as distribuidoras, uma maneira de aumentar o portfólio de fornecedores, trazendo competitividade para o setor”.

Para a especialista em Regulação da (ANP), Marcela Ganem Flores, a Agência tem total interesse no desenvolvimento de combustíveis renováveis e limpos e esse esforço da indústria do biogás é fundamental para colocar o biometano definitivamente na matriz.

“Desde a regulação da ANP, em 2015, o biometano pode ter o mesmo uso do gás natural (GN), tendo a mesma valoração econômica desde que atenda às exigências de qualidade do produto estabelecidas nesta resolução da ANP”.

Participaram das discussões, o presidente da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás), Cícero Bley Jr; o Diretor de Relações Institucionais da Arcesp, Paulo Arthur Lencioni Góes; o Coordenador-Geral de Desenvolvimento da Produção e do Mercado de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Gomide; a Especialista em Regulação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Marcela Ganem Flores; o Gerente de Planejamento Estratégico e Competitividade da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Marcelo Mendonça; além de mais de 150 gestores públicos, políticos ligados à questão ambiental, docentes universitários, associações e empresas.