segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
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O que considerar no projeto de um comércio antes de reformar

Checklist prático para planejar a reforma do seu comércio com menos retrabalho, mais segurança e um espaço que vende melhor.

Mauricio Nakamura
Mauricio Nakamura EM 12 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 11:45
O que considerar no projeto de um comércio antes de reformar
O que considerar no projeto de um comércio antes de reformar

Reformar um comércio dá aquela sensação de recomeço, só que também traz medo de errar e gastar duas vezes.

Um projeto bem pensado evita que você quebre parede hoje e refaça amanhã, reduz dias de porta fechada e ajuda a deixar o lugar mais convidativo para quem entra.

Antes de chamar pedreiro e escolher piso, vale olhar o negócio como um todo, desde a rotina da equipe até o caminho que o cliente faz lá dentro.

Quando a reforma começa sem direção, aparecem surpresas que viram bola de neve. Tomada no lugar errado, balcão que atrapalha fila, iluminação que deixa o produto “apagado”, estoque sem espaço, cheiro de fritura indo para a área de atendimento.

Muita coisa só fica visível quando você coloca no papel: medidas, fluxos, pontos de energia, regras do prédio, prazos e orçamento com folga para imprevistos.

Este guia é para quem quer reformar com clareza e pé no chão. Você vai ver o que considerar no projeto de um comércio antes de reformar, com exemplos simples e pontos que realmente mudam o resultado no fim.

A ideia é você terminar com um lugar mais fácil de trabalhar, mais seguro e mais agradável para o cliente, sem complicar e sem palavras difíceis.

O que este artigo aborda:

Defina o objetivo da reforma e o que não pode falhar

De acordo com a ABC Engenharia e Projetos, comece respondendo uma pergunta direta: o que você quer melhorar com a reforma? Pode ser vender mais, aumentar capacidade de atendimento, reduzir filas, melhorar a vitrine, criar um estoque decente, ou só deixar o ambiente mais confortável.

Escreva de forma simples, em uma lista curta. Essa lista vira seu “norte” quando surgir dúvida no meio da obra. Depois, marque o que é essencial e o que é desejo.

Essencial é aquilo que, se ficar ruim, atrapalha o negócio todo: caixa, circulação, iluminação principal, ventilação, segurança, acessibilidade, área de produção (quando existe), banheiros e armazenamento.

Desejo é o que dá charme, só que pode esperar: um painel decorativo caro, um revestimento que foge do orçamento, um móvel sob medida enorme.

Mapeie o fluxo do cliente e o fluxo da equipe

Um comércio funciona como um caminho. O cliente entra, olha, pergunta, escolhe, paga e sai. A equipe repõe, embala, prepara, limpa, atende e recebe mercadoria.

Se esses caminhos se cruzam toda hora, vira confusão. Antes de reformar, desenhe um mapa simples do espaço e marque por onde as pessoas passam nos horários de pico.

Em uma padaria, por exemplo, a fila não pode travar a entrada. Em uma loja de roupas, provadores longe e sem espelho bom fazem o cliente desistir.

Em um mercado pequeno, gôndola muito apertada gera trombada e carrinho travado. Ajustar fluxo costuma dar mais resultado do que trocar tudo por algo “bonito”.

Meça tudo e registre o que existe hoje

Faça um levantamento básico: largura e comprimento do salão, altura do pé-direito, posição de pilares, portas, janelas, ralos, pontos de água, esgoto, gás, quadro de energia e entradas de internet.

Tire fotos de cada parede e do teto. Isso parece chato, só que vira ouro quando você precisa decidir onde vai um balcão, uma prateleira, uma geladeira ou um letreiro.

Se o imóvel é alugado, verifique o que pode e o que não pode alterar. Alguns contratos proíbem mexer em fachada, quebrar parede estrutural ou mudar instalações.

Se for em galeria ou shopping, normalmente existem regras de padrão, horários de obra, descarte de entulho e até limite de ruído.

Orçamento realista com “gordura” para imprevistos

O preço de uma reforma quase nunca é só o valor do material e da mão de obra. Entram transporte, descarte, aluguel de ferramentas, pequenas correções, fretes, ajustes na elétrica, troca de registros, pintura extra, além de itens que você esquece no começo.

Por isso, monte um orçamento dividido em categorias: demolição, construção, elétrica, hidráulica, iluminação, mobiliário, marcenaria, comunicação visual, pintura e acabamento.

Reserve uma margem para imprevistos. Quando a parede abre, pode aparecer infiltração, fiação antiga, cano comprometido ou desnivelamento no piso.

Se você não tiver folga, qualquer surpresa vira desespero e atrasos. Também calcule o custo do negócio parado ou funcionando pela metade, porque isso pesa muito no final.

Prazos e plano para continuar vendendo

Fechar as portas por muitos dias derruba o caixa, então o projeto precisa conversar com um plano de funcionamento.

Dá para reformar por etapas? Dá para isolar uma área e manter atendimento em outra? Dá para reduzir o cardápio, mudar o layout temporário, atender por delivery, retirar no balcão, ou fazer promoções para girar estoque antes da obra?

Coloque datas no papel, com início, meio e fim. Evite promessas vagas. Combine com a equipe e com fornecedores o que vai acontecer em cada fase.

A obra pode atrasar, só que um cronograma claro evita que todo mundo fique “no escuro” e ajuda você a cobrar com firmeza.

Segurança, acessibilidade e regras do local

Segurança não é luxo. Saídas desobstruídas, sinalização, extintor bem posicionado, piso que não escorrega e fiação organizada reduzem riscos. Em vários casos, você precisa seguir exigências do Corpo de Bombeiros e normas do condomínio.

Se o comércio recebe público, pense em detalhes como degrau na entrada, porta estreita, banheiro sem espaço e balcão alto demais para atendimento.

Acessibilidade também é atendimento. Um cliente com mobilidade reduzida, um idoso, uma pessoa com carrinho de bebê, todo mundo sente quando o espaço é apertado e cheio de barreiras.

Rampas, corrimãos quando necessários, corredores com largura mínima e boa iluminação ajudam muito a experiência.

Iluminação que valoriza produto e deixa o ambiente agradável

Uma iluminação ruim derruba a percepção de qualidade, mesmo quando o produto é bom. Luz forte demais pode incomodar, luz fraca “apaga” a vitrine e cria sombras estranhas no rosto do cliente.

No projeto, pense em três camadas: luz geral para o ambiente, luz direcionada para produto e luz de destaque para pontos estratégicos, como vitrine e caixa.

Em loja de roupas, a luz no provador é decisiva. Em açougue, padaria e hortifruti, a escolha da luz muda a aparência do alimento.

Em salão de beleza, a luz precisa mostrar cor real. Planejar isso antes evita improviso com gambiarras e extensões pelo chão.

Tomadas, internet e pontos de energia no lugar certo

Um erro clássico é deixar poucas tomadas e todas longe do que você precisa. Pense em tudo que liga na tomada: caixa, maquininhas, impressora, computadores, geladeiras, expositores, iluminação, TV de menu, roteador, ventiladores, máquina de café.

Marque no mapa onde cada item vai ficar e coloque pontos de energia próximos, com sobra para futuras mudanças.

A internet também entra no projeto. Roteador escondido atrás de metal ou dentro de armário pode derrubar sinal.

Defina onde passa cabo, onde fica o ponto principal e como você vai organizar isso para não ficar feio e não dar problema depois.

Ventilação, conforto térmico e controle de cheiros

Cliente vai embora quando está quente demais, abafado ou com cheiro forte. Se o comércio tem cozinha, fritura ou produção, avalie exaustão e renovação de ar. Se tem muitos equipamentos que esquentam, como freezers e fornos, isso influencia no conforto do salão.

Ar-condicionado mal dimensionado consome muito e não resolve. Ventilação natural pode ajudar, só que precisa ser pensada com segurança e layout. Isso impacta até onde colocar prateleiras, vitrines e balcões para não bloquear circulação de ar.

Estoque, recebimento de mercadoria e área “invisível” ao cliente

Muita reforma foca só no que aparece, e o bastidor fica esquecido. Só que um estoque organizado reduz perdas, facilita reposição e melhora atendimento.

Pense em prateleiras, identificação, espaço para caixas, área para receber mercadoria e um caminho prático até o ponto de reposição.

Se o entregador precisa atravessar o salão lotado para levar caixas pesadas, isso vira dor de cabeça diária.

Se não existe lugar para guardar embalagem, sacola e materiais de limpeza, tudo acaba “migrando” para onde não deveria, e o comércio fica com cara de bagunça mesmo depois de reformado.

Identidade visual e fachada que chama sem exagero

A fachada precisa ser clara. Quem passa tem poucos segundos para entender o que você vende e como entrar. Nome, categoria do negócio e elementos principais devem ser fáceis de ler. Se a rua é movimentada, letras pequenas viram enfeite e não ajudam em nada.

No interior, mantenha coerência: cores, materiais e placas internas devem conversar. Não precisa ser caro para parecer bem feito. Um padrão simples, repetido com cuidado, costuma ser mais forte do que misturar muitos estilos.

Materiais que aguentam rotina e facilitam limpeza

Escolher material só pela aparência é outro tropeço comum. Comércio tem tráfego alto, sujeira, arrasto de móveis, quedas e limpeza diária.

Piso escorregadio é risco. Parede que mancha fácil vira problema. Bancada porosa absorve e fica feia rápido. Prefira o que resiste e é fácil de manter.

Também pense em ruído. Lugares muito “duros”, com muito vidro e piso liso, podem virar eco e deixar o ambiente cansativo.

Um pouco de material que absorve som, como painéis adequados, cortinas ou elementos com textura, pode melhorar bastante a sensação do espaço.

Documente tudo e combine antes de executar

Antes de iniciar, registre decisões principais: layout, pontos elétricos, hidráulica, medidas de móveis, cores e tipo de iluminação. Se houver prestadores diferentes, alinhe quem faz o quê e quando. Muitos atrasos vêm de “um achou que o outro faria”.

Um passo simples é fazer uma lista do que será entregue e o que não está incluso. Isso evita briga e protege seu bolso. Também ajuda você a comparar orçamentos com mais justiça, sem cair no barato que vira caro.

Checklist rápido para revisar antes de começar

Confira se você já tem: objetivo claro da reforma, mapa de fluxo do cliente e da equipe, medidas e fotos do espaço, orçamento por categoria com folga, cronograma por etapas, plano para manter vendas, pontos de energia e internet definidos, solução de ventilação e cheiros, área de estoque pensada, materiais escolhidos para alta demanda, e decisões documentadas com combinados objetivos.

Se você passar por esse checklist, a chance de a reforma ficar mais tranquila sobe muito. O comércio ganha cara de profissional, a equipe trabalha com menos esforço e o cliente percebe o cuidado.

Planejar antes de quebrar é o jeito mais seguro de reformar sem dor de cabeça e sem gastar duas vezes.

Mauricio Nakamura
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