21/01/2026
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Mastercard assume dívidas do Will Bank e se torna acionista

Mastercard assume dívidas do Will Bank e se torna acionista

A Mastercard, uma das maiores bandeiras de cartões do mundo, fez movimentações significativas em seu portfólio de investimentos ao executar garantias relacionadas a dívidas do Will Bank, uma instituição que faz parte do conglomerado do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Com isso, a Mastercard se tornou acionista relevante de duas empresas: a varejista de móveis Westwing e o Banco de Brasília (BRB).

As ações foram tomadas após o Will Bank falhar em cumprir suas obrigações financeiras com a bandeira, resultando na execução de garantias que haviam sido dadas em alienação fiduciária. Em comunicado, a Mastercard deixou claro que não tem a intenção de exercer direitos políticos ou de permanecer como acionista a longo prazo nas empresas adquiridas.

Detalhes das Aquisições

No caso da Westwing, a Mastercard assumiu 3.540.768 ações ordinárias, o que representa aproximadamente 31,87% do capital social da empresa. O valor envolvido nesta transação foi de cerca de R$ 19 milhões. Quanto ao BRB, a bandeira adquiriu 33.684.706 ações, correspondendo a 6,93% do capital total do banco, sendo 11,75 milhões de ações ordinárias (3,67%) e 21,93 milhões de ações preferenciais (13,21%). O valor total dessa aquisição foi de R$ 237,4 milhões.

Apesar das aquisições, a Mastercard reiterou que as ações serão vendidas e que não há intenção de alterar a estrutura de controle ou a administração das instituições. A bandeira afirmou em seus comunicados que a execução das garantias não visa modificar a composição do controle das empresas envolvidas.

Contexto do Will Bank e Regulamentação

A Mastercard suspendeu a aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank, medida que, segundo fontes, foi tomada para evitar o aumento das dívidas do banco digital. O Will Bank está atualmente sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet), uma ação tomada pelo Banco Central em novembro passado, quando a liquidação do Banco Master foi anunciada. Essa medida foi implementada para preservar as operações do Will Bank, uma vez que investidores demonstraram interesse em adquirir a instituição.

A venda do Will Bank poderia mitigar as potenciais perdas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que está previsto para compensar até R$ 250 mil a aproximadamente 800 mil investidores de Certificados de Depósito Bancário (CDB) e outros títulos garantidos emitidos pelo Banco Master. O total de indenizações pode chegar a R$ 40,6 bilhões, marcando uma das maiores compensações já realizadas pelo fundo. Caso a venda não ocorra, as perdas do FGC podem aumentar, uma vez que o Will Bank fechou setembro com R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo.

Perspectivas Futuras

As tratativas para a venda do Will Bank continuam, mas em ritmo lento, com o Mubadala Capital, unidade de gestão de ativos do fundo soberano de Abu Dhabi, mostrando interesse no negócio. No entanto, a situação do Will Bank é complicada devido à sua associação com o Banco Master, que está sendo investigado por fraudes em suas carteiras de crédito, o que adiciona um nível extra de cautela por parte de potenciais compradores.

Embora o Will Bank esteja honrando os pagamentos de CDBs que vencem, o futuro da instituição e de suas operações depende da resolução das questões envolvendo seu controle e a busca por um novo proprietário.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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