Na quarta-feira, 21 de janeiro, o Ibovespa atingiu a marca histórica de 170 mil pontos pela primeira vez, refletindo um movimento positivo impulsionado pela entrada de investidores estrangeiros e pela valorização das ações de grandes empresas brasileiras. O índice, que representa o desempenho das ações mais negociadas na B3, subiu cerca de 2,23%, enquanto o dólar comercial registrou uma queda de 0,95%, sendo cotado a R$ 5,329.
O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, explicou que a aversão ao risco em mercados internacionais, especialmente devido às tensões entre os EUA e a Europa relacionadas à Groenlândia, fez com que investidores olhassem para o Brasil. As chamadas blue chips, como Itaú, Vale, Bradesco, Eneva e Petrobras, foram vistas como mais resilientes em comparação a outras opções de investimento.
Além disso, a situação política do Brasil também influenciou o mercado. A pesquisa do Atlas revelou que Flávio Bolsonaro estava mais próximo de Lula, gerando otimismo sobre a alternância política no país. Com um cenário econômico relativamente esvaziado, as atenções se voltaram para o discurso de Donald Trump no Fórum Econômico Mundial em Davos, que também impactou a percepção dos investidores.
Trump, em sua participação, elevou o tom em relação à aquisição da Groenlândia, ameaçando tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, o que provocou reações intensas na Europa. A resposta da União Europeia foi a de se preparar para uma possível retaliação, com autoridades do bloco classificando a postura americana como inadequada e irresponsável.
No Brasil, a situação financeira do Will Bank também teve um papel importante nas movimentações do mercado. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controladora do banco, devido à sua incapacidade de honrar dívidas. Essa decisão gerou preocupação sobre a saúde financeira do setor bancário e levou a uma análise mais cautelosa das condições econômicas.
Apesar das tensões internacionais e da crise enfrentada pelo Will Bank, a bolsa brasileira se mostrou resiliente. As ações de empresas que compõem o índice Ibovespa tiveram um desempenho notável, contribuindo para a valorização do índice ao longo do dia. O acumulado da semana indica um crescimento de 0,14%, embora o acumulado do mês e do ano ainda mostre uma queda de 1,98%.
Em meio a esse cenário, as bolsas de valores dos Estados Unidos também operaram em leve alta, com o S&P 500 subindo 0,30%, o Nasdaq avançando 0,21% e o Dow Jones com alta de 0,33%. A recuperação dos mercados norte-americanos aconteceu após um dia de perdas significativas.
Concluindo, o dia 21 de janeiro foi marcado por um marco histórico para o Ibovespa e por uma série de eventos políticos e econômicos que moldaram o ambiente de investimentos. A atenção dos investidores permanece voltada para as repercussões das tensões internacionais e a saúde do setor financeiro brasileiro, com a expectativa de que esses fatores continuarão a influenciar o mercado nos próximos dias.

