06/02/2026
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Nike sob investigação federal por discriminação racial contra brancos

Nike sob investigação federal por discriminação racial contra brancos

O gigante do vestuário esportivo Nike enfrenta uma investigação federal sobre alegações de discriminação contra trabalhadores brancos, conforme revelou a Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego (EEOC) dos Estados Unidos. A investigação foi anunciada em um documento judicial apresentado em um tribunal federal do Missouri, onde a EEOC solicitou que a empresa fornecesse informações sobre suas políticas de diversidade.

A EEOC está interessada em entender como a Nike seleciona funcionários para demissões, bem como em saber como a empresa rastreia dados de raça e etnia de seus trabalhadores. Além disso, a comissão busca informações sobre programas que, segundo as alegações, oferecem mentoria e oportunidades de desenvolvimento de carreira restritas por raça. A Nike, em resposta, afirmou estar cooperando com a investigação, mas considerou a intimação como uma “escalada surpreendente e incomum”.

A presidente da EEOC, Andrea Lucas, tem se mostrado crítica em relação às políticas de diversidade e inclusão, alertando que elas podem ser discriminatórias. Essa postura da agência está alinhada com as prioridades do ex-presidente Donald Trump, que também se opôs a iniciativas de diversidade no local de trabalho. A investigação da Nike é a mais proeminente que a EEOC confirmou publicamente até o momento, seguindo um padrão similar de ações contra outras empresas, como a Northwestern Mutual, que enfrentou uma intimação semelhante em novembro de 2024.

A investigação surge em um contexto em que Lucas incentivou publicamente homens brancos a se manifestarem se sentirem que foram vítimas de discriminação racial ou de gênero no trabalho. Essa convocação foi parte de uma estratégia para abordar o que ela considera práticas discriminatórias nas iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) em grandes corporações.

É importante notar que a investigação não resultou de uma queixa direta de um trabalhador da Nike, mas sim de uma ação da própria Lucas, que apresentou uma queixa chamada “commissioner’s charge”. Essa ferramenta raramente utilizada permite que a EEOC atue independentemente de queixas de trabalhadores. A queixa de Lucas aconteceu após um grupo conservador, o America First Legal, ter enviado uma carta à EEOC, solicitando uma investigação sobre as práticas de DEI da Nike.

A EEOC tem recebido um número crescente de cartas semelhantes de grupos conservadores, pressionando por investigações sobre as políticas de diversidade de empresas americanas. Embora a EEOC seja proibida de divulgar detalhes sobre queixas a menos que resultem em ações públicas, é evidente que a agência está intensificando sua vigilância sobre as práticas de DEI.

A queixa de Lucas foi fundamentada em informações publicamente disponíveis da Nike sobre seu compromisso com a diversidade, incluindo a meta da empresa de atingir 35% de representação de minorias raciais e étnicas em sua força de trabalho corporativa até 2025. Muitas empresas adotaram compromissos semelhantes após os protestos de justiça racial que se seguiram à morte de George Floyd em 2020, embora esses compromissos não sejam considerados cotas, mas sim metas a serem alcançadas.

De acordo com a Seção VII da Lei dos Direitos Civis, os empregadores não podem usar a raça como critério para decisões de contratação ou outros aspectos do emprego. Lucas alertou que muitas empresas correm o risco de ultrapassar essa linha por meio de esforços de DEI que possam pressionar os gerentes a tomar decisões com base na raça.

A Nike reiterou seu compromisso de seguir todas as leis aplicáveis que proíbem discriminação e afirmou que suas práticas e programas são consistentes com essas obrigações. A empresa enfatizou a seriedade com que trata essas questões, destacando sua disposição para colaborar com a EEOC na investigação.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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