08/02/2026
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Anvisa investiga mortes ligadas a canetas emagrecedoras

Anvisa investiga mortes ligadas a canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou dados alarmantes sobre o uso de canetas emagrecedoras, que têm gerado um aumento significativo de notificações de casos suspeitos de pancreatite no Brasil. Entre 2020 e 2025, foram registradas seis mortes suspeitas associadas ao uso desses dispositivos, que contêm medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade.

As informações foram reportadas pelo G1 e confirmadas pela Folha, destacando que, desde janeiro de 2020, a Anvisa recebeu 145 notificações de pancreatite relacionada ao uso de canetas emagrecedoras até dezembro de 2025. O número de casos notificados cresceu de apenas um em 2020 para 45 em 2025, mostrando um aumento contínuo e preocupante ao longo dos anos.

Os medicamentos envolvidos incluem a semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida, todos com advertências sobre a possibilidade de pancreatite em suas bulas. A Anvisa esclareceu que a notificação de eventos adversos não confirma uma relação direta com o medicamento, mas é essencial para o monitoramento da segurança dos produtos.

Além das notificações espontâneas, a Anvisa também registrou 225 casos ao incluir notificações provenientes de pesquisas clínicas. Contudo, não foi especificado o período dessas pesquisas, o que levanta questões sobre a abrangência dos dados.

A farmacêutica Eli Lilly, responsável pelo medicamento Mounjaro (tirzepatida), afirmou que a bula do produto indica a pancreatite aguda como uma reação adversa incomum. A empresa também aconselha que os pacientes discutam com seus médicos quaisquer sintomas de pancreatite, recomendando a interrupção do tratamento caso haja suspeita.

O alerta sobre o uso dessas canetas não se restringe ao Brasil. No Reino Unido, autoridades de saúde também relataram mortes relacionadas à inflamação grave do pâncreas associada a medicamentos para obesidade e diabetes. A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) enfatizou que tanto médicos quanto pacientes devem estar cientes dos riscos, embora especialistas afirmem que o risco de desenvolver pancreatite com o uso desses medicamentos é considerado baixo.

Para o gastroenterologista Célio Geraldo de Oliveira Gomes, a associação de pancreatite com esses medicamentos pode ser explicada pela “estímulo anormal das células do pâncreas”, que altera a secreção e a composição das enzimas digestivas. Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, reforçou que os efeitos dos agonistas do GLP-1 no pâncreas são uma preocupação desde o início dos estudos clínicos, há duas décadas.

À medida que novas evidências sobre os riscos associados ao uso de canetas emagrecedoras se tornam disponíveis, é crucial que pacientes e profissionais de saúde mantenham um diálogo ativo sobre a segurança e eficácia desses medicamentos. A Anvisa continuará a monitorar a situação e a informar a população sobre possíveis riscos associados ao uso desses tratamentos.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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