08/02/2026
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Anvisa investiga mortes ligadas a canetas emagrecedoras

Anvisa investiga mortes ligadas a canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou dados alarmantes sobre os riscos associados ao uso de canetas emagrecedoras, que contêm medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade. Entre 2020 e 2025, a agência recebeu 145 notificações de casos suspeitos de pancreatite, resultando em seis mortes suspeitas relacionadas ao uso desses produtos, conforme informações apuradas pelo G1 e confirmadas pela Folha de S.Paulo.

Os medicamentos em questão incluem semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida. De acordo com o sistema VigiMed, dedicado ao monitoramento de eventos adversos, a quantidade de notificações cresceu significativamente ao longo dos anos. Em 2020, houve apenas um registro, enquanto em 2025, esse número subiu para 45, o maior da série histórica. As mortes, no entanto, não foram detalhadas quanto ao ano específico em que ocorreram.

A Anvisa também informou que, ao considerar notificações provenientes de pesquisas clínicas, o total de registros sobe para 225 casos. Apesar disso, a agência ressalta que a notificação de um evento adverso não implica uma relação direta com o medicamento, mas é uma ferramenta crucial para o monitoramento da segurança dos produtos.

Os riscos de pancreatite associados a esses medicamentos já estão descritos nas bulas, e a empresa Elly Lilly, fabricante do Mounjaro (tirzepatida), confirmou que a inflamação do pâncreas é uma reação adversa incomum. A empresa aconselha que os pacientes consultem seus médicos sobre os sintomas e interrompam o uso do medicamento em caso de suspeita de pancreatite.

Especialistas alertam que o uso de canetas emagrecedoras requer cuidados redobrados, especialmente em idosos. Célio Geraldo de Oliveira Gomes, gastroenterologista, sugere que a associação entre o uso desses medicamentos e a pancreatite pode estar relacionada à estimulação anormal das células pancreáticas, afetando a secreção de enzimas digestivas. Bruno Halpern, da Abeso, enfatiza que os efeitos sobre o pâncreas têm sido uma preocupação desde os primeiros estudos clínicos, realizados há 20 anos.

Internacionalmente, casos de pancreatite associados ao uso de medicamentos para obesidade e diabetes têm sido reportados, como no Reino Unido, onde pacientes também enfrentaram complicações graves. A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido alertou médicos e pacientes sobre os potenciais riscos.

Com o aumento das notificações e a confirmação de mortes suspeitas, a Anvisa reforça a importância de notificar eventos adversos, embora muitos casos possam não ser reportados com a devida precisão. A situação evidencia a necessidade de monitoramento contínuo e de informações transparentes sobre os riscos envolvidos no uso de canetas emagrecedoras.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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