A urna eletrônica brasileira, que completa 30 anos no dia 13 de maio, é amplamente reconhecida como um dos sistemas de votação mais seguros e eficientes do mundo. O sucesso do modelo brasileiro, no entanto, é apenas uma parte de um panorama global em que pelo menos 34 países adotam diferentes formas de votação eletrônica, cada um com suas particularidades e desafios.
Segundo um levantamento do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA), a diversidade nos sistemas de votação eletrônica reflete as diferenças culturais, institucionais e tecnológicas entre as nações. No Brasil, a urna eletrônica opera através de um sistema de gravação direta, onde o voto é digitado e registrado digitalmente na máquina, um modelo que também é utilizado em países como Índia, França, Peru e Paraguai.
Modelos de Votação Eletrônica pelo Mundo
Na Índia, por exemplo, os eleitores votam utilizando símbolos que representam os partidos, uma solução desenvolvida para incluir a população analfabeta. Ao deixarem a seção eleitoral, recebem uma marca de tinta em um dos dedos, uma medida de segurança para evitar fraudes que se mantém visível entre dois dias e um mês.
O Paraguai, por sua vez, implementou um sistema que combina o voto eletrônico com um comprovante impresso, permitindo uma auditoria física das escolhas. Nos Estados Unidos, a adoção de urnas digitais é desigual, variando entre os estados, enquanto a França e o México utilizam a votação eletrônica em menor escala.
Além disso, o Iraque e o Irã também adotaram sistemas eletrônicos, mas com características que diferem significativamente do modelo brasileiro. Em países como Canadá e Austrália, o uso de tecnologia é complementar ao voto em papel, geralmente para atender a eleitores com necessidades especiais ou que residem no exterior.
Por que o Modelo Brasileiro é Único?
A ausência do modelo de urna eletrônica brasileiro em outros países não indica uma falha, mas sim uma combinação de fatores culturais e institucionais. Especialistas como a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga afirmam que as democracias tendem a migrar para sistemas híbridos que incluem o VVPAT (Voter Verifiable Paper Audit Trail), um rastro de papel que permite auditoria pelo eleitor.
Entre as vantagens do sistema brasileiro, destaca-se a imunidade a falhas globais, uma vez que se trata de um sistema proprietário, desenvolvido e mantido pela Justiça Eleitoral. Isso garante que o Brasil não dependa de fornecedores externos e minimiza os riscos associados a pressões geopolíticas. Além disso, as urnas não estão conectadas à internet, o que reduz a vulnerabilidade a ataques cibernéticos.
Rodrigo Prando, cientista político e sociólogo, reforça que o modelo brasileiro é um dos mais avançados do mundo, com histórico de sucesso em eleições sem registros de fraudes comprovadas. Ele alerta, no entanto, que a adoção do modelo em outros contextos poderia trazer interpretações distorcidas, caso surgisse algum problema fora do país.
Considerações Finais
A urna eletrônica brasileira, ao celebrar três décadas de existência, representa não apenas um marco tecnológico, mas também um exemplo de como a tecnologia pode ser utilizada para aprimorar processos democráticos. Enquanto o mundo observa as diferentes abordagens em relação à votação eletrônica, o Brasil continua a se destacar por seu compromisso com a segurança e a integridade do voto, um aspecto fundamental para a manutenção da confiança pública nas instituições democráticas.

