12/02/2026
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A Crise do Domínio Musical dos EUA: O Impacto de Bad Bunny e K-Pop

A Crise do Domínio Musical dos EUA: O Impacto de Bad Bunny e K-Pop

Bad Bunny, um dos artistas mais influentes da atualidade, tem se tornado um símbolo de uma transformação profunda na indústria musical, especialmente no que diz respeito à hegemonia dos Estados Unidos. Com sua apresentação no Super Bowl e o Grammy de melhor álbum do ano, o porto-riquenho não apenas conquistou o público, mas também desafiou as normas estabelecidas, destacando a rica cultura latina em um palco tipicamente americano.

No evento esportivo, Bad Bunny optou por se apresentar exclusivamente em espanhol, repleto de referências culturais que ressoam com o público latino. Sua performance incluiu elementos como vendinhas de água de coco e jogos de dominó, criando uma conexão direta com suas raízes e, ao mesmo tempo, fazendo uma crítica ao imperialismo cultural e às políticas de imigração do governo Trump. O presidente, por sua vez, reagiu negativamente, alegando que a música de Bad Bunny não representava os “padrões de sucesso” dos Estados Unidos.

Contrariando as críticas, Bad Bunny se destacou como o artista mais ouvido na plataforma de streaming Spotify no ano anterior, com seu álbum “Debí Tirar Más Fotos”. Este feito não apenas reafirma a popularidade da música latina, mas também indica uma mudança nas preferências dos ouvintes americanos, que estão cada vez mais abertos a novos gêneros e culturas.

Rosalía, outra artista em ascensão, também exemplifica essa nova onda. Com seu álbum “Lux”, que mistura sonoridades de diferentes partes do mundo, a cantora espanhola se prepara para conquistar os Grammy, marcando uma nova era em que a língua não é mais uma barreira na música. Rosalía afirma que seu trabalho é um reflexo da conexão global, enfatizando que a diversidade cultural deve ser celebrada.

A ascensão do k-pop nos Estados Unidos, representado por grupos como Stray Kids, também evidencia essa transformação. O gênero, que já era popular em várias partes do mundo, conseguiu conquistar o público americano sem a necessidade de se adaptar completamente aos padrões ocidentais. Isso contrasta com a trajetória de artistas latinos, que muitas vezes precisaram cantar em inglês para alcançar a aceitação plena.

Segundo o professor de etnomusicologia Steven Loza, os americanos estão cada vez mais interessados em sons internacionais, especialmente os mais jovens. Embora o reggaeton ainda não tenha alcançado o status de mainstream, sua popularidade está crescendo rapidamente. Além disso, a arte brasileira, como o álbum “Rock Doido” de Gaby Amarantos, também começa a ganhar visibilidade no cenário musical americano, impulsionada por artistas como Anitta.

Bad Bunny, no entanto, adota uma postura ousada ao desafiar a indústria. Ele decidiu não realizar uma turnê nos Estados Unidos, temendo pela segurança de seus fãs latinos, e optou por fazer 31 shows em Porto Rico, injetando centenas de milhões de dólares na economia local. Essa escolha ressalta a ideia de que as fronteiras entre Porto Rico e os Estados Unidos são, de certa forma, ilusórias.

A crise criativa que muitos críticos apontam na música americana pode ser vista como uma oportunidade para artistas internacionais se destacarem. Como observou Kelefa Sanneh, no passado, a música fora dos Estados Unidos não tinha a mesma proeminência, mas a era do streaming mudou essa dinâmica. Hoje, é possível acessar uma gama diversificada de sons de diferentes partes do mundo com facilidade.

Com a crescente aceitação de músicas em línguas estrangeiras e a valorização da diversidade cultural, o panorama musical dos Estados Unidos está em constante evolução. Artistas como Bad Bunny e Rosalía não apenas desafiam as normas, mas também abrem caminho para uma nova era de inclusão e celebração da riqueza cultural global.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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