Rosanna Arquette está criticando o uso excessivo da palavra n-word por Quentin Tarantino em seus filmes.
Rosanna é a mais velha dos irmãos Arquette, que incluem os atores Richmond Arquette, Patricia Arquette, a falecida Alexis Arquette e David Arquette.
Ela teve um papel menor no segundo longa-metragem de Tarantino, Pulp Fiction de 1994, como Jody, a esposa do personagem de Eric Stoltz, Lance.
Em uma entrevista em 7 de março ao Times UK, Rosanna falou sobre atuar em Pulp Fiction, chamando o filme de icônico, mas expressou descontentamento com o uso exagerado do termo. “É icônico, um grande filme em muitos níveis”, disse ela.
“Mas, pessoalmente, estou cansada do uso da n-word – eu odeio. Não suporto que ele [Tarantino] tenha recebido um passe livre. Não é arte, é apenas racista e perturbador”, continuou.
O uso considerado gratuito do termo é encontrado na maioria dos trabalhos do diretor, principalmente no filme Django Unchained, de 2012, estrelado por Jamie Foxx. O filme supostamente usa a n-word mais de 110 vezes, por diversos personagens.
Outro diretor, Spike Lee, também se manifestou contra Django Unchained em 2012, dizendo à revista Vibe que não assistiria ao filme por considerá-lo “desrespeitoso com meus ancestrais”.
Tarantino respondeu às críticas em 2013, após Django Unchained ganhar um Globo de Ouro de melhor roteiro. “Eles acham que eu deveria suavizar, que eu deveria mentir, que eu deveria massagear”, disse ele ao Hollywood Reporter. “Eu nunca faria isso quando se trata dos meus personagens”.
Um ano antes, Tarantino já havia declarado ao Hollywood Reporter que mantinha sua posição sobre seus filmes, que incluem não apenas palavrões excessivos, mas também violência extrema. “Nenhuma palavra de crítica social direcionada a mim jamais mudou uma palavra de qualquer roteiro ou qualquer história que eu conte”, afirmou.
“Eu acredito no que faço de todo coração e com paixão. Meu trabalho é ignorar isso”, acrescentou Tarantino.
O debate sobre a liberdade artística versus responsabilidade social continua presente na análise de seus trabalhos. A filmografia de Tarantino, celebrada por diálogos marcantes e narrativas únicas, segue sendo alvo de discussões sobre os limites da representação e do impacto de termos carregados historicamente.
O caso específico de Django Unchained, um filme que tematiza a escravidão, frequentemente é o centro desta polêmica. Enquanto alguns defendem que o uso do termo reflete o contexto histórico retratado, outros argumentam que a repetição excessiva pode banalizar seu peso e causar desconforto desnecessário.
A crítica de Rosanna Arquette se soma a vozes de outros artistas e parte do público, ressaltando um incômodo persistente com a escolha vocabular do cineasta, mesmo reconhecendo sua influência e maestria técnica no cinema moderno.
