A recente divulgação de documentos relacionados a Jeffrey Epstein trouxe à tona novos detalhes sobre a amizade entre o linguista Noam Chomsky e o notório criminoso sexual. A discussão sobre essa relação ganhou força após Vijay Prashad, um autor que co-escreveu dois livros com Chomsky, expressar sua indignação em uma carta pública. Prashad revelou estar “desgostoso” com a revelação dessa amizade, especialmente em um momento em que o mundo está cada vez mais consciente dos crimes de Epstein.
Os documentos recém-liberados mostram uma série de comunicações entre Chomsky e Epstein, incluindo mensagens que sugerem uma relação mais próxima do que Chomsky havia admitido anteriormente. Embora o acadêmico tenha reconhecido conhecer Epstein e tenha afirmado que a relação se restringia a questões financeiras, Prashad contestou essa justificativa, afirmando que não há defesa para essa amizade.
Prashad, que é também o diretor do Tricontinental Institute for Social Research, afirmou que não tinha conhecimento sobre a amizade de Chomsky com Epstein enquanto colaborava com ele. “Quando as fotos e os e-mails apareceram, fiquei imediatamente enojado pela pedofilia de Epstein e, assim, pela amizade de Noam com ele”, escreveu Prashad. Ele ressaltou que não há contexto que possa justificar a relação entre os dois, considerando a gravidade dos crimes de Epstein.
A troca de mensagens inclui uma comunicação em que Chomsky menciona estar “fantasiando sobre a ilha do Caribe”, embora não haja evidências de que ele se referia especificamente à ilha privada de Epstein, onde ocorreram abusos sexuais. Além disso, foi revelado que em 2019, Epstein buscou conselhos de Chomsky sobre como lidar com a pressão da mídia, em um momento em que já havia sido condenado por crimes sexuais envolvendo menores.
As controvérsias em torno de Epstein não se limitam apenas a sua amizade com Chomsky. Desde a prisão e morte de Epstein em 2019, o caso gerou um intenso interesse público, especialmente em relação às conexões que ele teve com figuras proeminentes da política e da sociedade. O ex-presidente Donald Trump, por exemplo, prometeu divulgar uma lista completa de clientes de Epstein durante sua campanha para a presidência, mas posteriormente enfrentou pressão bipartidária para não fazê-lo.
As recentes divulgações de documentos foram impulsionadas por uma lei aprovada pelo Congresso que exigiu mais transparência em relação aos arquivos de Epstein, revelando detalhes adicionais sobre sua correspondência com Chomsky. A falta de resposta imediata de Chomsky e de sua esposa e porta-voz, Valeria Chomsky, sobre as mensagens em questão levanta questões sobre a natureza da relação entre o acadêmico e Epstein.
Chomsky, que atualmente tem 97 anos, é professor emérito no Massachusetts Institute of Technology e se encontra em licença médica não remunerada desde outubro de 2023. A ausência de uma declaração clara de sua parte sobre a situação pode dificultar a compreensão pública de sua relação com Epstein, especialmente à luz das novas informações que vêm à tona.
A situação destaca a complexidade das relações pessoais e profissionais que podem existir entre pessoas influentes e figuras controversas, além de levantar questões éticas sobre a responsabilidade de intelectuais em se associar a indivíduos com passados criminosos. No caso de Chomsky, o que começou como um relacionamento acadêmico agora é objeto de um intenso escrutínio público.

