07/02/2026
STE News»Notícias»Brasil define plano de 10 anos para combater mudanças climáticas

Brasil define plano de 10 anos para combater mudanças climáticas

Brasil define plano de 10 anos para combater mudanças climáticas

Na última sexta-feira (6), o governo federal brasileiro lançou um documento que delineia a estratégia do país para enfrentar as mudanças climáticas nos próximos dez anos. Intitulado Plano Clima, o documento estabelece objetivos claros: reduzir a poluição e preparar a população para enfrentar eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e enchentes.

O plano tem como meta cumprir o compromisso firmado pelo Brasil no Acordo de Paris, que prevê uma redução significativa das emissões de gases de efeito estufa. O governo se comprometeu a cortar entre 59% e 67% das emissões até 2035, estabelecendo um teto de poluição que, embora móvel, busca limitar as emissões. Em um cenário mais rigoroso, o Brasil poderá emitir cerca de 850 milhões de toneladas de gás carbônico por ano, enquanto no cenário menos rigoroso esse limite sobe para mais de 1 bilhão de toneladas.

Em 2022, o Brasil emitiu aproximadamente 2 bilhões de toneladas de gases que contribuem para o aquecimento global, o que torna as metas do novo plano ainda mais desafiadoras. O documento revela uma abordagem que permite a alguns setores, como o de energia, aumentar suas emissões em até um terço até 2030, enquanto o desmatamento deve ser reduzido até a meta de zerar em 2030.

Embora o Plano Clima represente um avanço na política ambiental do Brasil, há críticas sobre suas metas. Claudio Angelo, coordenador do Observatório do Clima, elogia a iniciativa, mas considera as metas apresentadas como tímidas. “É positivo que o Brasil tenha feito o plano. Agora, de fato, a ambição está muito aquém do que o país pode fazer”, afirmou Angelo, ressaltando a necessidade de uma definição mais clara sobre os objetivos a serem alcançados.

Por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente justifica a variação nas metas apresentadas como uma resposta às incertezas econômicas que podem afetar a implementação de investimentos necessários. Aloisio Melo, secretário de Mudança do Clima, explicou que a abordagem adotada leva em conta riscos que podem atrasar o progresso em direção a essas metas. “É lógico que a gente é orientado para a meta mais ambiciosa, mas consideramos esse ambiente de incerteza”, disse Melo.

O Plano Clima não menciona a eliminação dos combustíveis fósseis e reconhece que fatores políticos, econômicos e internacionais podem atrasar a transição para fontes de energia mais limpas, especialmente em um cenário de crescimento econômico. Essa perspectiva levanta questionamentos sobre a eficácia da estratégia, pois a dependência do petróleo pode dificultar o alcance das metas climáticas estabelecidas.

Com a publicação do documento, o Brasil dá um passo importante em sua estratégia de combate às mudanças climáticas, embora o caminho a seguir ainda pareça repleto de desafios. A participação de todos os setores da economia será crucial para que o país possa efetivamente reduzir suas emissões e se adaptar às novas realidades climáticas que se apresentam.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

Ver todos os posts →