05/03/2026
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Brasil é beneficiado inesperado da crise no Irã

Brasil pode se tornar beneficiário inesperado da crise no Irã, avaliação de analistas indica que o país pode ganhar com a busca por novas fontes de petróleo após o fechamento do Estreito de Ormuz.

Distante mais de 10 mil quilômetros de Teerã, o Brasil é apontado como um dos potenciais beneficiados do conflito iniciado no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã no sábado, 28 de fevereiro.

Analistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que o fechamento do Estreito de Ormuz, anunciado pelo Irã na segunda-feira, 2 de março, pode levar países da Europa e Ásia a buscarem fornecedores alternativos de petróleo bruto. Por essa rota marítima estima-se que passe cerca de 20% da produção global.

Nesse cenário, o Brasil, que desde 2024 tem o petróleo como principal item de exportação, poderia ver suas vendas externas alavancadas. O país já possui uma rede de portos e oleodutos para exportação e suas rotas marítimas não passam por pontos sensíveis como Ormuz.

Os especialistas ressaltam, porém, que os benefícios para o Brasil só devem ocorrer se a crise se prolongar pelas próximas quatro semanas ou mais e se o país conseguir ampliar sua produção além dos níveis atuais.

A crise teve início com os ataques norte-americanos e israelenses a alvos iranianos, que atingiram prédios oficiais, alvos civis e resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Pelo menos outros três oficiais do alto comando também teriam morrido.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegou que os ataques visavam eliminar ameaças iminentes do regime iraniano, relacionadas a um programa nuclear e de mísseis. O Irã rebate as acusações e respondeu com disparos de mísseis contra Israel e instalações norte-americanas na região do Golfo Pérsico.

Matt Smith, consultor da empresa de análise de dados Kpler, afirmou que os maiores compradores do petróleo que passa por Ormuz são China, Índia e Japão. A China consome metade de todo o petróleo produzido no Oriente Médio, disse. Em caso de prolongamento da crise, esses países precisariam de alternativas, e o Brasil estaria bem posicionado.

Dados do governo brasileiro mostram que a China já é o principal destino do petróleo nacional. Em 2025, as exportações totais de petróleo bruto somaram US$ 44 bilhões, sendo US$ 20 bilhões (45%) direcionados à China.

O presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Roberto Ardenghy, disse que é cedo para estimar os benefícios, mas confirmou o potencial. Se a crise se agravar, países como Brasil, Argentina, Nigéria e Guiné Equatorial poderiam surgir como fornecedores alternativos.

Ele destacou, no entanto, um fator limitante: a capacidade de produção. O Brasil produz em média 3,6 milhões de barris por dia, exportando 1,6 milhão. O aumento da produção é um processo gradual e não atenderia a demandas adicionais imediatas.

Os efeitos da crise já se refletiram no mercado financeiro. As ações preferenciais da Petrobras subiram 3,57% entre sexta-feira e terça-feira, acompanhando a alta geral das petroleiras com a expectativa de aumento nos preços do óleo.

Analistas e o governo avaliam que o impacto sobre o Brasil seria misto. Por um lado, o aumento do preço do petróleo pode elevar os dividendos recebidos pelo governo, majoritário na Petrobras. Em 2024, esses repasses foram de R$ 28,8 bilhões.

Por outro lado, um preço mais alto do combustível no mercado internacional poderia pressionar os custos internos e a inflação, exigindo cuidados na condução da política econômica.

A situação no Oriente Médio permanece tensa e em evolução, com o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz interrompido e a busca por rotas alternativas de suprimento energético em andamento. O desfecho do conflito será determinante para os rumos do mercado global de petróleo e para o eventual benefício de exportadores como o Brasil.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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