08/03/2026
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CEOs do McDonald’s e Burger King: Riscos

Em uma ação recente do McDonald’s para redes sociais, o CEO Chris Kempczinski aparece experimentando o novo Big Arch. O lançamento foi feito para competir com redes como o Shake Shack.

O vídeo gerou repercussão porque usuários do Instagram acharam o executivo tímido e quase descontante ao dar uma mordida pequena no sanduíche.

Em resposta, o Burger King lançou uma campanha com seu presidente, Tom Curtis, comendo um Whopper. A marca frequentemente se aproveita de situações envolvendo seu concorrente para entrar na conversa.

O Big Arch chegou aos cardápios do McDonald’s nos Estados Unidos no dia 3 de março. Ele representa uma tentativa da rede de aumentar o número de clientes no país. O sanduíche foi apresentado em junho como o maior do cardápio.

Para o consultor Marcos Bedendo, da Brandwagon e professor de ESPM, Ibmec e Dom Cabral, a repercussão do vídeo não tem força para mudar a percepção sobre a marca.

Ele afirma que o McDonald’s é muito grande e estabelecido. Esse tipo de ação circula mais entre especialistas do que entre o público em geral. No entanto, é ruim ter um CEO que não consegue transmitir interesse pelo próprio produto.

Bedendo diz que o dano maior é para a imagem de Kempczinski, que pode perder relevância como líder. Espera-se que um CEO goste dos produtos da empresa que comanda.

Impacto das redes sociais

O episódio mostrou o poder que as redes sociais têm sobre o tom de uma campanha. O resultado pode ser o oposto do que a marca pretendia.

No caso do McDonald’s, mesmo que o CEO estivesse feliz, o público digital transformou a ação em uma repercussão negativa.

Bedendo afirma que hoje as reações são exacerbadas no mundo digital. Influenciadores usam fatos relevantes para ganhar visibilidade e audiência.

Por outro lado, a repercussão ajudou a levar o conteúdo para um público mais amplo. Isso beneficiou a marca em termos de alcance e divulgação do novo lanche.

O consultor acredita que é um problema passageiro. Como viralizou, as pessoas aproveitam para fazer piadas, mas não deve impactar as vendas.

A escolha de CEOs como protagonistas em campanhas

A participação de CEOs em ações de marca vem recuperando força nos últimos anos. A estratégia busca agregar autenticidade e aproximar o consumidor.

Segundo Bedendo, hoje é quase solicitado que o CEO se posicione publicamente. Isso gera credibilidade e transmite um senso de foco da organização no produto.

Ele diz que todo mundo quer ver o CEO fazendo algo ou dando sua opinião. Antes, o executivo podia ter um perfil mais discreto, mas hoje isso mudou.

A habilidade do CEO em se comunicar de forma eficiente é um fator central. Algumas figuras têm mais apelo com o público.

Um exemplo é Damola Adamolekun, CEO da Red Lobster. Ele protagonizou anúncios para reconstruir a marca após um anúncio de falência em 2024. O público engajou e as vendas subiram.

Bedendo acrescenta que há CEOs mais hábeis e outros menos hábeis para essa exposição. Se for envolvente, o resultado é positivo. Se não for, a ação parece forçada e prejudica a marca.

No entanto, a escolha pode ser uma faca de dois gumes. O público pode se conectar mais, mas qualquer deslize do CEO pode prejudicar a reputação da empresa.

Um caso comum foi o da Papa Johns, que usou o CEO John Schnatter como rosto da marca por anos. Ele se envolveu em uma polêmica ao usar um termo racista, renunciou e o episódio abalou a confiança na marca.

Vendas do McDonald’s voltam a crescer

A repercussão da campanha acontece em um momento de recuperação das vendas do McDonald’s. A empresa divulgou um balanço fiscal mostrando crescimento no último trimestre.

Houve uma queda nas vendas nos Estados Unidos entre 2024 e a primeira metade de 2025. As causas foram insatisfação com o custo-benefício e um surto de E. coli em outubro de 2024.

Estratégias como combos a US$ 5 foram anunciadas ao longo do último ano. No último trimestre, as vendas no país subiram 6,8%.

Os vídeos dos CEOs ganham destaque em um período de debates sobre o tamanho das porções no setor de fast-food. A discussão envolve o uso de medicamentos análogos ao GLP-1 e a qualidade da alimentação.

Restaurantes estão se reinventando para dialogar com um consumidor mais preocupado com a saúde. O setor busca se adaptar a essas novas demandas do mercado.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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