Nelson Tanure, um empresário brasileiro com um histórico de investimentos em empresas em dificuldades, enfrenta uma nova reviravolta em sua trajetória empresarial. Recentemente, o grupo de medicina diagnóstica Alliança Saúde anunciou que o fundo Opus, credor ligado a Tanure, adquiriu cerca de 49% das ações da companhia após assumir papéis que serviram como garantia de uma dívida não paga.
Tanure, que utilizou ações de empresas como Light e Alliança Saúde como colaterais para obter empréstimos, viu seus credores tomarem posse dessas ações devido ao não cumprimento das obrigações financeiras. Essa mudança de controle é significativa, já que a participação do empresário nessas empresas é indireta, realizada por meio de fundos de investimento e outras entidades.
No mesmo comunicado, a Alliança Saúde informou que o fundo Prisma Infratelco VD também passou a deter aproximadamente 10,7% das ações da empresa, o que resultou na perda do controle da companhia por Tanure e as empresas Lormont Participações e Fonte de Saúde, que agora somam apenas 6,96% das ações.
Os novos acionistas, Opus e Prisma, já sinalizaram que não têm intenção de manter suas participações na Alliança Saúde e pretendem vendê-las, o que pode ter implicações significativas para a estrutura acionária da empresa.
Investigações e Controvérsias
Além da reestruturação acionária, Tanure também está no centro de investigações mais amplas. No mês passado, ele foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Esta operação investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, onde Tanure é acusado de estar envolvido, embora ele tenha negado qualquer ligação com as irregularidades.
As ações da polícia resultaram em apreensões significativas, incluindo o celular do empresário, e foram parte de um esforço maior que inclui 42 mandados emitidos pelo Supremo Tribunal Federal. A investigação apura alegações de organização criminosa, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, relacionadas a créditos fictícios concedidos pelo Banco Master.
Tanure defendeu-se publicamente, afirmando que não é nem foi controlador do Banco Master e negou qualquer vínculo que o ligasse à gestão da instituição. A primeira fase da operação, realizada em novembro, já havia resultado em várias prisões e levantado preocupações sobre fraudes que podem somar até R$ 12 bilhões.
Quem é Nelson Tanure?
Nascido em Salvador em 1951 e formado em Administração pela Universidade Federal da Bahia, Nelson Tanure construiu uma carreira marcada por investimentos em setores variados, incluindo saúde, energia, telecomunicações e mídia. Ele é conhecido por sua abordagem de adquirir empresas em dificuldades financeiras e implementá-las reestruturações que, muitas vezes, geram tanto sucesso quanto controvérsias.
Além de sua atuação no setor empresarial, Tanure também está envolvido com a cultura, tendo sido vice-presidente da Orquestra Sinfônica Brasileira e mantendo uma ligação com a música clássica e a ópera.
À medida que novas informações surgem sobre sua situação, Tanure continua a ser uma figura central em questões empresariais e legais no Brasil, um reflexo das complexidades no mundo dos negócios e das finanças em um cenário econômico desafiador.

