09/02/2026
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Credores assumem participação de Tanure na Alliança Saúde e Light

Credores assumem participação de Tanure na Alliança Saúde e Light

Nelson Tanure, um empresário brasileiro com um histórico de investimentos em empresas em dificuldades, enfrenta uma nova reviravolta em sua trajetória empresarial. Recentemente, o grupo de medicina diagnóstica Alliança Saúde anunciou que o fundo Opus, credor ligado a Tanure, adquiriu cerca de 49% das ações da companhia após assumir papéis que serviram como garantia de uma dívida não paga.

Tanure, que utilizou ações de empresas como Light e Alliança Saúde como colaterais para obter empréstimos, viu seus credores tomarem posse dessas ações devido ao não cumprimento das obrigações financeiras. Essa mudança de controle é significativa, já que a participação do empresário nessas empresas é indireta, realizada por meio de fundos de investimento e outras entidades.

No mesmo comunicado, a Alliança Saúde informou que o fundo Prisma Infratelco VD também passou a deter aproximadamente 10,7% das ações da empresa, o que resultou na perda do controle da companhia por Tanure e as empresas Lormont Participações e Fonte de Saúde, que agora somam apenas 6,96% das ações.

Os novos acionistas, Opus e Prisma, já sinalizaram que não têm intenção de manter suas participações na Alliança Saúde e pretendem vendê-las, o que pode ter implicações significativas para a estrutura acionária da empresa.

Investigações e Controvérsias

Além da reestruturação acionária, Tanure também está no centro de investigações mais amplas. No mês passado, ele foi alvo de mandados de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Esta operação investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, onde Tanure é acusado de estar envolvido, embora ele tenha negado qualquer ligação com as irregularidades.

As ações da polícia resultaram em apreensões significativas, incluindo o celular do empresário, e foram parte de um esforço maior que inclui 42 mandados emitidos pelo Supremo Tribunal Federal. A investigação apura alegações de organização criminosa, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, relacionadas a créditos fictícios concedidos pelo Banco Master.

Tanure defendeu-se publicamente, afirmando que não é nem foi controlador do Banco Master e negou qualquer vínculo que o ligasse à gestão da instituição. A primeira fase da operação, realizada em novembro, já havia resultado em várias prisões e levantado preocupações sobre fraudes que podem somar até R$ 12 bilhões.

Quem é Nelson Tanure?

Nascido em Salvador em 1951 e formado em Administração pela Universidade Federal da Bahia, Nelson Tanure construiu uma carreira marcada por investimentos em setores variados, incluindo saúde, energia, telecomunicações e mídia. Ele é conhecido por sua abordagem de adquirir empresas em dificuldades financeiras e implementá-las reestruturações que, muitas vezes, geram tanto sucesso quanto controvérsias.

Além de sua atuação no setor empresarial, Tanure também está envolvido com a cultura, tendo sido vice-presidente da Orquestra Sinfônica Brasileira e mantendo uma ligação com a música clássica e a ópera.

À medida que novas informações surgem sobre sua situação, Tanure continua a ser uma figura central em questões empresariais e legais no Brasil, um reflexo das complexidades no mundo dos negócios e das finanças em um cenário econômico desafiador.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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