O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein continua a reverberar no cenário político britânico, culminando na renúncia de Morgan McSweeney, chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. A saída de McSweeney, anunciada em 8 de fevereiro de 2026, ocorre em meio a crescentes pressões sobre sua indicação de Peter Mandelson para o cargo de embaixador nos Estados Unidos.
McSweeney, que desempenhou um papel crucial na vitória de Starmer nas eleições de 2024, declarou em nota que assume “total responsabilidade” pela decisão de nomear Mandelson. Ele reconheceu que a escolha foi inadequada, afirmando que prejudicou o Partido Trabalhista, o país e a confiança pública na política. Em um gesto de reconhecimento às vítimas de Epstein, ele enfatizou a necessidade de ouvir as vozes das mulheres e meninas cujas vidas foram devastadas pelo criminoso sexual.
A renúncia de McSweeney não foi uma surpresa total, pois a pressão sobre Starmer e sua equipe aumentou após a divulgação de novos documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Esses documentos revelaram que Mandelson, que foi nomeado em dezembro de 2024, manteve uma relação próxima com Epstein mesmo após a condenação deste por prostituição de menores em 2008. Revelações anteriores, incluindo a assinatura de Mandelson em um livro de aniversário de Epstein, onde o descreveu como um “ótimo amigo”, também foram amplamente divulgadas.
O escândalo ganhou novos contornos quando se tornou evidente que Mandelson, enquanto ocupava o cargo de secretário para Negócios e Comércio no governo de Gordon Brown, compartilhou informações confidenciais do governo britânico com Epstein. Essas informações chegaram à opinião pública em janeiro de 2026, levando a uma onda de críticas e questionamentos sobre a capacidade de Starmer de liderar o Partido Trabalhista.
Apesar dos esforços de Starmer para distanciar-se da controvérsia, como a demissão de dois assessores associados a Mandelson, a situação se tornou insustentável. Em resposta à renúncia de McSweeney, o primeiro-ministro expressou sua gratidão pelo trabalho realizado, destacando a importância de sua lealdade e dedicação em momentos decisivos para o partido.
No entanto, a oposição não perdeu tempo em capitalizar a crise. Nigel Farage, líder do partido Reform UK, sugeriu que a renúncia de McSweeney era apenas o começo de um colapso maior para Starmer, especialmente com as eleições locais se aproximando. A pressão sobre o líder trabalhista está aumentando, com pesquisas indicando uma possível ascensão de partidos de ultradireita, como o Reform UK, nas próximas eleições.
O caso Epstein continua a ser um tema delicado e controverso na política internacional, refletindo questões mais amplas sobre abuso de poder e a responsabilidade de figuras públicas. À medida que novas informações surgem, a situação no Reino Unido se torna cada vez mais complicada, colocando em dúvida a estabilidade do governo de Starmer e a confiança do público em suas lideranças.

