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Fernando Alonso sobre Suzuka e a dor na classificação

Os pilotos de Fórmula 1 expressaram forte insatisfação após as classificações do Grande Prêmio do Japão, em Suzuka. O problema central está nas regras de unidade de potência de 2026, que estão criando uma situação paradoxal nas voltas cronometradas.

Carlos Sainz, da Williams, resumiu a questão. Ele disse que, quanto mais um piloto empurra o carro nas curvas, mais lento ele fica nas retas. Isso acontece porque o carro precisa usar mais aceleração para fazer as curvas mais rápidas, o que faz o sistema de energia recarregar a bateria mais cedo, roubando potência nas partes retas da pista.

Lando Norris, da McLaren, foi enfático sobre a perda de velocidade máxima. Ele afirmou que a situação “fere a sua alma”. A sensação entre os pilotos é de que a habilidade do piloto está sendo removida da equação da classificação.

Fernando Alonso, da Aston Martin, reforçou esse ponto. Ele explicou que as curvas de alta velocidade agora se tornaram estações de recarga para o carro. O piloto é forçado a reduzir a velocidade nessas curvas para carregar a bateria e ter potência total na reta seguinte.

A situação é agravada pelo software da unidade de potência, que usa aprendizado de máquina para ajustar seus algoritmos com base em voltas anteriores. Isso prejudica pilotos que perdem tempo de pista por problemas técnicos ou acidentes, como Norris no Japão, pois o software tem menos dados para otimizar.

Pequenos erros de pilotagem também podem desequilibrar o sistema. Charles Leclerc, da Ferrari, teve um momento de instabilidade em sua volta final no Q3, o que afetou sua velocidade na reta. Seu companheiro de equipe, Lewis Hamilton, relatou problema similar, perdendo tempo após um tranco de sobresterço que bagunçou o algoritmo.

A FIA já tentou um ajuste para o fim de semana de Suzuka, reduzindo o limite máximo de energia na classificação de 9MJ para 8MJ. A mudança ajudou a evitar uma perda de velocidade ainda maior, mas os pilotos acreditam que não foi suficiente.

Em uma reunião na sexta-feira com representantes da FIA, os pilotos deixaram clara sua posição. Sainz disse estar um pouco preocupado que as equipes resistam a mudanças mais profundas, pois algumas podem ter outros interesses. No entanto, a visão entre os pilotos é quase unânime de que a situação precisa melhorar.

Até mesmo a Mercedes, que tem um carro e uma unidade de potência muito competitivos em 2026, concorda publicamente que a classificação precisa ser revista. A equipe e seu chefe, Toto Wolff, reconhecem o problema.

Carlos Sainz sugeriu que uma implantação de energia mais conservativa e consistente pode ser a solução, mesmo que isso signifique voltas um pouco mais lentas no geral. Ele questionou se os 350kW de potência elétrica adicionais ao motor a combustão são necessários em todos os circuitos, levantando também uma questão de segurança em condições de pista molhada.

A grande questão agora é se as equipes vão concordar com mudanças significativas para o Grande Prêmio de Miami e as corridas seguintes. Lewis Hamilton se mostrou cético. Quando perguntado sobre o motivo de seu pessimismo, o heptacampeão respondeu: “É só que vai ter muitos cozinheiros na cozinha. Isso normalmente não termina com um bom resultado.”

As conversas entre a FIA, a Fórmula 1 e as equipes continuam, com um prazo até o início de maio para tentar encontrar uma solução que restaure a essência da classificação como uma disputa de pura performance e habilidade.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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