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O impacto da tecnologia na leitura dos brasileiros: mudanças e tendências

A tecnologia mudou completamente a maneira como os brasileiros leem e consomem conteúdo. Com o uso de smartphones, tablets e redes sociais, surgiram novas formas de leitura, mas também desafios para os velhos hábitos.

Um estudo nacional revela que apenas 47% dos brasileiros são leitores frequentes. As principais razões para isso são a falta de tempo e a dependência das redes sociais, que acabam afastando as pessoas dos livros.

Hoje, temos acesso a e-books e aplicativos que facilitam a leitura como nunca. Porém, essa variedade de opções pode desviar a atenção dos leitores, deixando a pergunta no ar: é possível equilibrar a tecnologia com a leitura tradicional?

Transformações no hábito de leitura dos brasileiros com a tecnologia

A tecnologia revolucionou os costumes. Agora, os brasileiros leem no celular, tablet e até escolhem livros através das redes sociais.

Principais mudanças nos hábitos de leitura

Nos últimos anos, o jeito de ler se transformou muito. Antes, somente livros físicos estavam disponíveis. Hoje, metade da população se considera leitora. A leitura em dispositivos móveis virou rotina, e muitas pessoas carregam uma biblioteca no bolso.

Audiolivros e podcasts cresceram muito em popularidade. Agora, dá para ouvir livros enquanto fazemos outras tarefas, ajudando quem tem a vida corrida. O lar continua sendo o lugar preferido para ler, mas o celular permite que a leitura aconteça em qualquer lugar: ônibus, fila de banco, ou até durante o almoço.

O tempo médio de leitura mudou. O brasileiro lê cerca de 4,36 livros a cada três meses, mas muitos preferem textos curtos e rápidos nas telas.

Influência das mídias digitais no comportamento leitor

As mídias digitais mudaram a forma como escolhemos e lemos livros. Redes sociais, sites e aplicativos viraram essenciais neste processo.

Durante a pandemia, o uso de tecnologia para leitura aumentou bastante, assim como a busca por novos conteúdos. Hoje, o brasileiro lê em diversos formatos:

  • E-books em celulares e tablets
  • Audiolivros para ouvir
  • Textos curtos nas redes sociais
  • Artigos em blogs e sites

A escolha de livros também mudou. O tema ainda é importante, mas as recomendações agora vêm de influenciadores nas redes sociais. Cerca de 60% dos jovens leitores (10 a 29 anos) seguem dicas desses influenciadores, mostrando a forte influência da internet.

Participação das redes sociais na formação de leitores

As redes sociais são agora ferramentas que ajudam a formar novos leitores. Plataformas como Instagram, TikTok e YouTube estão cheias de perfis focados em literatura.

Influenciadores digitais recomendam livros para milhões de seguidores, fazem resenhas, mostram capas chamativas e criam tendências, especialmente entre os jovens. A influência das redes sociais aumentou 25% nos últimos três anos, tornando BookTok e Bookstagram muito populares.

Essas plataformas mudaram até os tipos de livros que fazem sucesso. Características que se destacam nas redes incluem:

  • Capas bonitas aparecendo no Instagram
  • Histórias envolventes apresentadas em vídeos no TikTok
  • Temas atuais discutidos nos comentários

Os jovens encontram livros usando hashtags e participam de desafios de leitura. As redes sociais também criam espaço para discutir livros em grupos e comunidades online.

Efeitos positivos e negativos da tecnologia na leitura

A tecnologia digital alterou bastante os hábitos de leitura no Brasil. De um lado, ficou mais fácil acessar livros digitais. Por outro, a concentração e a profundidade na leitura foram afetadas.

Facilidade de acesso a livros digitais

A tecnologia facilitou muito o acesso a livros. E-books permitem carregar uma biblioteca completa no celular ou tablet. Os downloads gratuitos são uma grande vantagem, já que 88% dos leitores digitais fazem isso.

Atualmente, o celular é o principal dispositivo para leitura digital. Em 2019, 73% dos leitores digitais usavam smartphones, um aumento em relação a 56% em 2015. Livros digitais são perfeitos para ler em lugares como:

  • Transporte público (17%)
  • Cafeterias (16%)
  • Trabalho (15%)
  • Consultórios e salões (13%)

Essa portabilidade ajuda a aproveitar momentos que seriam perdidos. Comprar online também facilita encontrar títulos específicos.

Redução da leitura tradicional

O aumento da tecnologia impactou diretamente a leitura de livros físicos. O brasileiro está gastando mais tempo em atividades digitais, o que diminui o tempo dedicado à leitura de livros impressos.

A mudança nos hábitos de entretenimento é clara. Em 2019, 66% preferiam usar a internet no tempo livre, comparados a 47% em 2015. Entre os leitores, esse número salta para 75%, resultando em menos tempo para livros impressos.

Entre as atividades digitais que competem pela atenção estão:

  • WhatsApp (68% dos leitores)
  • Redes sociais (50%)
  • Leitura de notícias online (23%)

Essa preferência por conteúdo digital fragmentado reduz o interesse em textos longos, e muitos acabam se tornando leitores digitais, deixando os livros físicos para trás.

Aumento da distração e superficialidade

O ambiente digital traz muitas distrações, dificultando a concentração na leitura. A redução da atenção é um problema crescente, pois as pessoas pulam de um aplicativo para outro, gerando um hábito de leitura picotado.

Os impactos nas habilidades cognitivas incluem:

  • Dificuldade em entender textos complexos
  • Menos empatia
  • Pensamento crítico prejudicado

Ler digitalmente incentiva um consumo superficial da informação, onde as pessoas escaneiam textos em vez de ler com calma. Gêneros mais consumidos digitalmente, como poesia e contos, mostram essa preferência por textos curtos, limitando o desenvolvimento de habilidades de leitura mais profundas.

Tendências atuais e desafios para o futuro da leitura no Brasil

A tecnologia está mudando a maneira como os brasileiros leem. O interesse por formatos digitais está crescendo, mas ainda existem barreiras de acesso.

A pesquisa de 2024 mostra que apenas 47% da população são leitores, o que representa um desafio para expandir o hábito de leitura no país.

Preferência por dispositivos móveis e leitura digital

Os brasileiros estão cada vez mais usando dispositivos móveis para ler, com smartphones e tablets sendo as principais ferramentas de acesso a livros.

As tendências digitais incluem:

  • Leitura em redes sociais e aplicativos de mensagens
  • Aumento na quantidade de livros eletrônicos
  • Uso de aplicativos de leitura gratuitos

A pesquisa de 2024 trouxe pela primeira vez perguntas sobre leitura digital, mostrando que o país está começando a valorizar mais o papel da tecnologia nos hábitos de leitura.

O acesso pelo celular facilita a leitura em qualquer lugar, e muitos aproveitam o transporte público ou intervalos para ler.

Mudanças nos gêneros e formatos preferidos

Os gostos dos leitores brasileiros estão mudando. Textos mais curtos e visuais estão ganhando espaço entre diversos públicos.

Em 2024, a principal motivação para ler foi “gostar de ler” (26%), seguida por “distração” (15%). Os brasileiros buscam prazer e entretenimento na leitura, não apenas uma obrigação.

Fatores que influenciam a escolha incluem:

  • Tema do livro (33%)
  • Design da capa (12%)
  • Recomendações de amigos ou influenciadores (12%)

Os formatos digitais permitem novas experiências de leitura, incluindo histórias interativas e conteúdo multimídia, que podem ser mais divertidas, dependendo da perspectiva.

Desigualdade de acesso e papel das políticas públicas

A desigualdade no acesso à tecnologia gera grandes diferenças na leitura digital entre regiões e classes sociais. Nem todos os brasileiros têm internet rápida ou dispositivos adequados, o que continua a ser um grande obstáculo.

A maioria dos leitores tem ensino médio completo (36%), enquanto apenas 17% têm o fundamental I. Isso mostra como a educação impacta os hábitos de leitura, sendo um aspecto importante a ser considerado.

As principais barreiras são:

  • Falta de tempo (55% dos leitores)
  • Não gostar de ler (33% dos não-leitores)
  • Limitações de acesso digital

Bibliotecas digitais e programas do governo podem ajudar a democratizar o acesso aos livros. Iniciativas comunitárias também têm seu valor, embora muitas vezes passem despercebidas.

É necessário que o governo crie políticas que integrem tecnologia e educação. Programas que distribuam dispositivos e melhorem a internet nas escolas podem aumentar o número de leitores no país.

Redação STE

Conteúdo editorial desenvolvido pela equipe do STE em colaboração com parceiros especializados.

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