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TSE torna Cláudio Castro inelegível até 2030

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou nesta terça-feira, 24 de março de 2026, o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Com a decisão, ele ficará inelegível até 2030. O placar terminou em 5 votos a 2.

A maioria foi formada com os votos dos ministros Isabel Gallotti (relatora), Antônio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Cármen Lúcia. Os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça foram os únicos que votaram a favor do ex-governador.

Cláudio Castro deixou o Palácio Guanabara na véspera da retomada do julgamento no TSE. Ele renunciou ao cargo para escapar do desgaste da cassação, que já era prevista no seu entorno, e para evitar uma eleição-tampão direta no Rio. Em cerimônia de encerramento de mandato, ele declarou que sai “de cabeça erguida”.

Com a renúncia, a eleição-tampão no Rio tende a ser indireta, na Assembleia Legislativa do Rio, onde o PL, partido de Castro, tem a maior bancada. Mesmo inelegível, ele poderá registrar candidatura ao Senado, como planeja, e disputar a eleição sub judice. Se for eleito, precisará de uma decisão do Supremo Tribunal Federal revertendo a inelegibilidade até a data da diplomação. Caso contrário, não poderá ser diplomado. Aliados admitem que ele vai concorrer ao Senado contando com uma vitória no Supremo.

O processo que levou à condenação gira em torno da contratação, por decreto, de 27,6 mil funcionários temporários na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). As contratações custaram 519 milhões de reais apenas no primeiro semestre de 2022. Segundo o Ministério Público, os funcionários teriam atuado como cabos-eleitorais nas eleições de 2022. Castro nega irregularidades.

Prevaleceu no TSE a compreensão de que as contratações tiveram motivação exclusivamente eleitoral, sem respaldo técnico. Os ministros consideraram o aumento vertiginoso de repasses ao Ceperj e depoimentos que relataram coação a servidores para participarem de eventos políticos. O ex-governador foi considerado diretamente responsável por ter assinado o decreto que autorizou o programa.

A ministra Cármen Lúcia criticou a situação, afirmando que “tem sido continuados os casos em que governantes do Rio não terminam os mandatos ou saem dos cargos, como agora, tendo em vista o exame e a conclusão sobre práticas absolutamente contrárias a tudo que se põe na Constituição”.

A condenação também alcança o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União), que teve o mandato cassado e também ficará inelegível até 2030, e Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente do Ceperj. A Justiça Eleitoral deverá fazer a recontagem de votos para definir quem assume o mandato na Alerj.

O ex-vice-governador Thiago Pampolha, que hoje está no Tribunal de Contas do Estado, também foi condenado, mas poupado da inelegibilidade. O TSE considerou que ele foi beneficiado pelo esquema, mas não teve ingerência nele.

Os ministros ainda determinaram a notificação do Ministério Público do Rio para aprofundar as investigações, inclusive em relação a gestores da Uerj. A sugestão foi apresentada por André Mendonça.

O processo teve idas e vindas desde novembro, quando começou a ser julgado, com dois pedidos de vista. A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, acelerou a tramitação na reta final de sua gestão na Corte. Ela marcou até uma sessão extraordinária para concluir a votação na quarta caso não houvesse tempo hábil para todos os votos nesta terça.

O ex-governador tentou, ao máximo, engavetar o julgamento. Segundo a Lei das Inelegibilidades, os critérios de elegibilidade são verificados no momento do registro das candidaturas. Se conseguisse postergar o desfecho, poderia lançar candidatura ao Senado sem maiores preocupações. Com o ritmo imprimido por Cármen Lúcia, a estratégia não vingou.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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