09/02/2026
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Urna eletrônica no Brasil: 30 anos de inovação na votação

Urna eletrônica no Brasil: 30 anos de inovação na votação

A urna eletrônica brasileira, que completa 30 anos no dia 13 de maio, é amplamente reconhecida como um dos sistemas de votação mais seguros e eficientes do mundo. O sucesso do modelo brasileiro, no entanto, é apenas uma parte de um panorama global em que pelo menos 34 países adotam diferentes formas de votação eletrônica, cada um com suas particularidades e desafios.

Segundo um levantamento do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA), a diversidade nos sistemas de votação eletrônica reflete as diferenças culturais, institucionais e tecnológicas entre as nações. No Brasil, a urna eletrônica opera através de um sistema de gravação direta, onde o voto é digitado e registrado digitalmente na máquina, um modelo que também é utilizado em países como Índia, França, Peru e Paraguai.

Modelos de Votação Eletrônica pelo Mundo

Na Índia, por exemplo, os eleitores votam utilizando símbolos que representam os partidos, uma solução desenvolvida para incluir a população analfabeta. Ao deixarem a seção eleitoral, recebem uma marca de tinta em um dos dedos, uma medida de segurança para evitar fraudes que se mantém visível entre dois dias e um mês.

O Paraguai, por sua vez, implementou um sistema que combina o voto eletrônico com um comprovante impresso, permitindo uma auditoria física das escolhas. Nos Estados Unidos, a adoção de urnas digitais é desigual, variando entre os estados, enquanto a França e o México utilizam a votação eletrônica em menor escala.

Além disso, o Iraque e o Irã também adotaram sistemas eletrônicos, mas com características que diferem significativamente do modelo brasileiro. Em países como Canadá e Austrália, o uso de tecnologia é complementar ao voto em papel, geralmente para atender a eleitores com necessidades especiais ou que residem no exterior.

Por que o Modelo Brasileiro é Único?

A ausência do modelo de urna eletrônica brasileiro em outros países não indica uma falha, mas sim uma combinação de fatores culturais e institucionais. Especialistas como a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga afirmam que as democracias tendem a migrar para sistemas híbridos que incluem o VVPAT (Voter Verifiable Paper Audit Trail), um rastro de papel que permite auditoria pelo eleitor.

Entre as vantagens do sistema brasileiro, destaca-se a imunidade a falhas globais, uma vez que se trata de um sistema proprietário, desenvolvido e mantido pela Justiça Eleitoral. Isso garante que o Brasil não dependa de fornecedores externos e minimiza os riscos associados a pressões geopolíticas. Além disso, as urnas não estão conectadas à internet, o que reduz a vulnerabilidade a ataques cibernéticos.

Rodrigo Prando, cientista político e sociólogo, reforça que o modelo brasileiro é um dos mais avançados do mundo, com histórico de sucesso em eleições sem registros de fraudes comprovadas. Ele alerta, no entanto, que a adoção do modelo em outros contextos poderia trazer interpretações distorcidas, caso surgisse algum problema fora do país.

Considerações Finais

A urna eletrônica brasileira, ao celebrar três décadas de existência, representa não apenas um marco tecnológico, mas também um exemplo de como a tecnologia pode ser utilizada para aprimorar processos democráticos. Enquanto o mundo observa as diferentes abordagens em relação à votação eletrônica, o Brasil continua a se destacar por seu compromisso com a segurança e a integridade do voto, um aspecto fundamental para a manutenção da confiança pública nas instituições democráticas.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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