O University of Southern California (USC) anunciou a nomeação de Beong-Soo Kim como seu 13º presidente, surpreendendo muitos, uma vez que ele inicialmente não estava entre os candidatos. Kim, que atuou como presidente interino desde a aposentadoria de Carol Folt, enfrentou desafios significativos durante seu tempo à frente da universidade, incluindo um déficit orçamentário de US$ 200 milhões e a necessidade de implementar cortes e demissões.
Com 53 anos, Kim é descrito pelos líderes da USC como um “presidente da próxima geração”, capaz de guiar a instituição em tempos de mudanças sem precedentes no setor de educação superior. Suzanne Nora Johnson, presidente do conselho de administração da USC, enfatizou que Kim possui o caráter e as habilidades necessários para avançar a universidade em um momento de transformações tecnológicas, políticas e demográficas.
O novo presidente chega em um contexto delicado, onde mais de 4.500 professores e 19.000 funcionários ainda sentem os impactos das demissões. As reclamações de sindicatos sobre a falta de comunicação em relação ao estado financeiro da universidade têm aumentado, refletindo um clima de incerteza.
Além do desafio orçamentário, Kim também terá que lidar com pressões externas significativas. O governo Trump havia convidado a USC a assinar um “compacto acadêmico” que buscava limitar a matrícula de alunos internacionais e promover políticas conservadoras no campus, uma proposta que a universidade rejeitou. As pressões federais incluem tentativas de eliminar programas de diversidade e inclusão, limitar o reconhecimento de pessoas trans e restringir protestos no campus.
A integração da inteligência artificial (IA) nas práticas educacionais também está em foco. Kim co-organizou a primeira conferência de IA da USC e a universidade investiu US$ 3,1 milhões em assinaturas do ChatGPT para uso de docentes e estudantes, buscando se adaptar às novas demandas do ensino superior.
Kim, que foi o advogado principal da USC desde julho de 2020, tem experiência em lidar com questões complexas da universidade, como o escândalo de admissões Varsity Blues e a resposta à pandemia de COVID-19. Sua trajetória inclui passagens pelo escritório do procurador dos EUA em Los Angeles e por cargos em grandes empresas, como Kaiser Permanente e Jones Day.
O processo de seleção que levou à sua nomeação envolveu um comitê de busca de 20 pessoas que se reuniu por um ano. A recomendação para que Kim assumisse o cargo veio após um aumento significativo de apoio da comunidade universitária, incluindo professores, alunos e ex-alunos, que clamaram por sua consideração como candidato.
Em uma mensagem de boas-vindas, Kim expressou sua conexão pessoal com a USC, lembrando-se de suas visitas ao campus durante a infância, quando seus pais, imigrantes coreanos, estudaram na universidade. Ele destacou a importância da educação e o legado de sua mãe, que se tornou professora pública após obter seu diploma na USC.
Com uma visão otimista sobre o futuro da universidade, Kim afirmou que a USC está em uma posição financeira mais forte e se comprometeu a fortalecer a cultura acadêmica, promovendo o engajamento em diferentes pontos de vista e a curiosidade intelectual entre alunos e docentes. À medida que o ensino superior enfrenta desafios significativos, a liderança de Kim será observada de perto por toda a comunidade acadêmica.

