Novas revelações sobre a atuação do advogado Brad Karp, líder do escritório Paul Weiss, indicam que ele desempenhou um papel importante na tentativa de Jeffrey Epstein de proteger seu acordo de culpa em acusações de tráfico sexual. Emails recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que Karp ajudou Epstein a contestar ataques legais a esse acordo nos meses que antecederam a morte do financista em prisão.
De acordo com os documentos, Karp revisou um esboço de petição judicial de 2019 que argumentava que o acordo de dez anos não deveria ser reaberto. Essa argumentação foi posteriormente utilizada pela equipe jurídica de Epstein ao tentar intervir em uma ação judicial na Flórida, movida por duas mulheres não identificadas que alegaram ter sido traficadas por Epstein quando eram menores. “O esboço da moção está em ótima forma. É absolutamente persuasivo”, escreveu Karp em um email para Epstein em 3 de março de 2019.
Além disso, Karp destacou que as “vítimas” estavam “à espreita” e esperaram para reivindicar seus direitos quando Epstein estava na prisão, um argumento que foi adotado pela equipe legal. Epstein rapidamente compartilhou as observações de Karp com seus advogados, incluindo Kathy Ruemmler, que era co-presidente do grupo de defesa de colarinho branco da Latham & Watkins na época.
A equipe de Epstein argumentou em uma moção apresentada em julho de 2019 que o acordo de não persecução não poderia ser reaberto, ressaltando os pagamentos substanciais que Epstein fez para resolver várias reivindicações civis. “Apenas depois de utilizarem o NPA para garantir grandes acordos monetários de Epstein, os Peticionários ressuscitaram sua ação judicial CVRA”, afirmaram os advogados. Essa declaração sugere que eles optaram deliberadamente por um tipo de ação judicial em detrimento de outra.
Os emails evidenciam que Karp esteve ativamente envolvido na formulação da estratégia legal de Epstein em meio a críticas públicas ao acordo e a novos apelos para processar o financista. O escritório Paul Weiss, no entanto, afirma que a relação de Karp com Epstein era limitada e surgiu do trabalho de Karp representando Leon Black, CEO da Apollo Global Management, em uma disputa de honorários com Epstein.
Por sua vez, Karp e um representante do Paul Weiss não responderam a solicitações de comentários. O escritório reiterou que nunca representou Epstein e que sempre foi adverso a ele. Martin Weinberg, um dos advogados de Epstein, também se recusou a comentar, citando o privilégio advogado-cliente.
As revelações vêm à tona em um contexto de crescente escrutínio sobre Epstein, que foi alvo de uma série de reportagens do Miami Herald a partir de novembro de 2018, que detalhavam acusações de tráfico sexual. Epstein supostamente utilizou empregados para trazer adolescentes a sua residência em South Florida e pagou vítimas para recrutar novas alvos. O polêmico acordo de 2008 permitiu que ele evitasse as acusações mais graves, resultando em apenas um ano de prisão, onde ele tinha liberdade incomum para trabalhar em seu escritório.
A ação judicial na Flórida, que buscava contestar o acordo, se arrastou por mais de uma década até a morte de Epstein em agosto de 2019, enquanto ele enfrentava acusações federais de conspiração e tráfico. As alegações de que os promotores mantiveram as vítimas na escuridão sobre o acordo e as enganaram em relação aos termos foram centrais na luta legal que se seguiu.
Em uma troca de emails, Karp também mencionou a necessidade de assistência legal para outros indivíduos envolvidos em um caso distinto de solicitação de sexo, demonstrando a rede de conexões e a complexidade das relações que cercavam Epstein e seus associados legais.
Esses desenvolvimentos ressaltam não apenas o papel de Karp na defesa de Epstein, mas também as implicações mais amplas do sistema legal em casos de tráfico sexual e as dificuldades enfrentadas pelas vítimas que buscam justiça.

