20/02/2026
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O que a ciência revela sobre trabalhar à noite –

Enquanto a cidade está de boa, tem muita gente que faz a roda girar. São os enfermeiros que andam pelos hospitais, os seguranças nas ruas desertas e os operários que não param nas fábricas. Esses trabalhadores do turno da noite são verdadeiros heróis anônimos. Eles sacrificam o seu sono para que tudo funcione a qualquer hora.

A gente se acostuma a pensar que trabalhar à noite é um sacrifício necessário. Já sabemos que essa rotina é pesada, mexe com o relógio biológico e dificulta o convívio familiar, além de deixar a pessoa sempre cansada.

Mas e se eu te dissesse que o preço desse sacrifício pode ser mais alto do que a gente imagina? Enquanto você se dedica a cuidar dos outros ou a produzir, seu corpo e cérebro podem estar se deteriorando aos poucos, num processo silencioso.

Novas pesquisas estão apontando um alerta sério: trabalhar à noite não só cansa, mas também pode estar prejudicando sua saúde por dentro, de maneiras preocupantes.

O ‘apagão’ cerebral: risco maior de problemas de memória

Uma pesquisa da Universidade de York, no Canadá, trouxe um dado impactante. O estudo, que envolveu quase 50 mil adultos, mostrou que existe uma relação direta entre trabalhar à noite e a saúde do cérebro.

O resultado é de arrepiar: quem trabalha à noite tem um risco 79% maior de sofrer com problemas de memória e raciocínio, em comparação a quem trabalha durante o dia. E a razão? A interrupção do nosso ritmo circadiano, que é o relógio biológico que regula funções do corpo. A luz artificial da noite, quando o cérebro deveria estar descansando, desregula tudo e afeta as funções cognitivas a longo prazo.

A ‘fábrica’ de gordura: o impacto no metabolismo

E os problemas não param no cérebro. O corpo também sofre danos. Um estudo da USP revelou que o trabalho à noite pode afetar nosso peso e metabolismo. A falta de sono, refeições em horários estranhos e a luz noturna prejudicam o controle hormonal que regula a fome.

O resultado é um ciclo difícil de quebrar:

  1. O corpo, confuso, ativa o modo de armazenamento de gordura.
  2. Cresce a vontade de consumir alimentos rápidos e calóricos, que são as opções da madrugada.
  3. O ganho de peso se torna quase inevitável, aumentando o risco de diabetes e problemas cardíacos.

Existe uma ‘luz’ no fim do túnel?

Para muitos brasileiros, não dá pra trocar o turno da noite. A saída é minimizar os danos. Se você se encontra nessa situação, algumas dicas são essenciais:

  • Crie um ‘santuário’ para dormir: Durante o dia, seu quarto deve ser um espaço ideal para descansar. Use cortinas blackout, máscaras para os olhos e protetores de ouvido. O lugar precisa estar escuro e tranquilo.

  • Mantenha uma alimentação regular: Tente ter horários fixos para as refeições, mesmo nos dias de folga. Fuja dos lanches da madrugada e, se possível, leve comida de casa.

  • Se movimente quando puder: Qualquer atividade física, até uma caminhada leve, ajuda a regular o metabolismo e a reduzir os efeitos negativos do trabalho noturno.

A ciência está emitindo um alerta claro. O trabalho noturno pode ser um perigo sério para a saúde. Portanto, para quem sacrifica suas noites, cuidar de si mesmo não é um luxo, é questão de sobrevivência.

Sobre o autor: Mauricio Nakamura

Administrador de empresas, formado em administração pela Universidade Federal do Paraná, Maurício Nakamura começou sua carreira sendo estagiário em uma empresa de contabilidade. Apaixonado por escrever, ele se dedica em ser um dos editores chefe do site STE (Setor Energético), onde pode ensinar outros aspirantes à arte de se especializar no mundo da administração.

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